domingo, 1 de setembro de 2019


A CARÊNCIA DOS DEMAGOGOS

A tecnologia é extraordinária, conecta pessoas. Tudo acontece na velocidade da luz. A informação está disponível na palma da mão, a qualquer hora e em qualquer lugar. A felicidade emana das redes sociais como o mais balsâmico dos perfumes franceses. Nunca foi tão fácil encontrar pessoas para confabular sobre assuntos diversos. Mas as pessoas estão carentes.  Carentes de que? De tudo. Carentes de uma pátria para chamar de sua, carentes de afeto, carentes de conhecimento consolidado, carentes de ser gente de verdade. Como diz meu amigo Frank Couto, viramos uma sociedade carente de atenção, onde a mentira virou estratégia para se conquistar o poder absoluto. As redes sociais funcionam como uma vitrine de discursos demagógicos onde cada uma reina em seu próprio reino. Imagens são banalizadas a cada postagem porque carregam o carimbo de prosperidade. Por isso, desisto de entender as pessoas. Pessoas são muito complicadas. Pessoas tem manias, personalidades, defeitos, qualidades, empregos, famílias, amigos e tudo mais que constitui essa passeata que tem como objetivo protestar contra o fracasso enraigado em nossas almas. Seria triste se não fosse trágico o movimento que involuntariamente pronuncia gritos silenciosos de desespero. E são exatamente essas pessoas que entram em nossas vidas sem pedir permissão. A carência desses demagogos nos obriga a ter coragem. Coragem de encarar e de escolher qual espada queremos usar na batalha e qual não queremos. Não importa se ela é feita de aço ou de isopor; entramos em um ciclo vicioso e assim continuamos a nos acovardar em fazer escolhas maduras e inteligentes. Sim, temos o livre arbítrio de escolher quem nos faz bem, sem culpas e arrependimentos. O difícil é ter a audácia de proferir esse discurso para nós mesmos. Pessoas espertas, bonitas e perfeitas são chatas. O desafio é acolher os marginalizados, os pobres de espírito, os solitários e os problemáticos. Ou seja, a beleza da provocação social está em levantar quem precisa ser levantado e não quem já está no pedestal. Infelizmente e mais uma vez, as redes sociais impregnadas de hipocrisia não nos deixam agir dessa forma. Tenho preguiça de briga, gritaria, mal humor, egocentrismo e vaidade. Preguiça de reis e rainhas que acham que reinar é tirar vantagem de tudo e buscar conforto e riqueza as custas dos súditos que trabalham por amor incondicional a sua pátria. Quando digo que desisto de entender as pessoas, quero dizer que desisti de racionalizar o porquê as pessoas são do jeito que são. Desisti de romantizar relacionamentos, não necessariamente amorosos, que não valem a pena. No fim do dia, é a breguice do “temos que gostar de quem gosta da gente” que vai nos levar a enfrentar os dragões e a salvar a princesa.

A CARÊNCIA DOS DEMAGOGOS A tecnologia é extraordinária, conecta pessoas. Tudo acontece na velocidade da luz. A informação está...