A CARÊNCIA DOS DEMAGOGOS
A tecnologia é extraordinária, conecta pessoas. Tudo
acontece na velocidade da luz. A informação está disponível na palma da mão, a
qualquer hora e em qualquer lugar. A felicidade emana das redes sociais como o
mais balsâmico dos perfumes franceses. Nunca foi tão fácil encontrar pessoas
para confabular sobre assuntos diversos. Mas as pessoas estão carentes.
Carentes de que? De tudo. Carentes de uma pátria para chamar de sua, carentes
de afeto, carentes de conhecimento consolidado, carentes de ser gente de verdade.
Como diz meu amigo Frank Couto, viramos uma sociedade carente de atenção, onde
a mentira virou estratégia para se conquistar o poder absoluto. As redes
sociais funcionam como uma vitrine de discursos demagógicos onde cada uma reina
em seu próprio reino. Imagens são banalizadas a cada postagem porque carregam o
carimbo de prosperidade. Por isso, desisto de entender as pessoas. Pessoas são
muito complicadas. Pessoas tem manias, personalidades, defeitos, qualidades,
empregos, famílias, amigos e tudo mais que constitui essa passeata que tem como
objetivo protestar contra o fracasso enraigado em nossas almas. Seria triste se
não fosse trágico o movimento que involuntariamente pronuncia gritos
silenciosos de desespero. E são exatamente essas pessoas que entram em nossas
vidas sem pedir permissão. A carência desses demagogos nos obriga a ter
coragem. Coragem de encarar e de escolher qual espada queremos usar na batalha
e qual não queremos. Não importa se ela é feita de aço ou de isopor; entramos
em um ciclo vicioso e assim continuamos a nos acovardar em fazer escolhas
maduras e inteligentes. Sim, temos o livre arbítrio de escolher quem nos faz
bem, sem culpas e arrependimentos. O difícil é ter a audácia de proferir esse
discurso para nós mesmos. Pessoas espertas, bonitas e perfeitas são chatas. O
desafio é acolher os marginalizados, os pobres de espírito, os solitários e os
problemáticos. Ou seja, a beleza da provocação social está em levantar quem
precisa ser levantado e não quem já está no pedestal. Infelizmente e mais uma
vez, as redes sociais impregnadas de hipocrisia não nos deixam agir dessa
forma. Tenho preguiça de briga, gritaria, mal humor, egocentrismo e vaidade.
Preguiça de reis e rainhas que acham que reinar é tirar vantagem de tudo e
buscar conforto e riqueza as custas dos súditos que trabalham por amor
incondicional a sua pátria. Quando digo que desisto de entender as pessoas,
quero dizer que desisti de racionalizar o porquê as pessoas são do jeito que
são. Desisti de romantizar relacionamentos, não necessariamente amorosos, que
não valem a pena. No fim do dia, é a breguice do “temos que gostar de quem
gosta da gente” que vai nos levar a enfrentar os dragões e a salvar a princesa.

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